sábado, 26 de outubro de 2013

A dança e seus encontros

No último final de semana da Bienal Internacional de Dança em Fortaleza, companhias como a Quasar e o Balé Teatro Guaíra reafirmam a importância dos projetos de circulação na área

Quando o coreógrafo goiano Henrique Rodovalho esteve no Ceará, em 2006, para coreografar a Paracuru Companhia de Dança (PCD), o grupo dirigido por Flávio Sampaio ainda tinha um contato restrito com a dança contemporânea. Convidado a assinar uma coreografia, Rodovalho acabou por instigar os jovens artistas a saírem da zona de conforto, buscando novas relações entre o corpo e o fazer artístico.


O bailarino Lairton Freitas relembra que o processo foi surpreendente. “Nossa relação com o Rodovalho, de início, foi meio assustadora. Ainda estávamos aprendendo o que era a dança contemporânea. A gente assistia às coreografias e aos bailarinos da Quasar (companhia da qual Rodovalho é diretor artístico) no palco e não se imaginava dançando naquela maneira”, recorda Lairton sobre a peça 12’37’’, resultante daquele encontro.


“Hoje estamos mais maduros, temos um corpo mais híbrido. Acredito que a dança não é só movimento por cima de movimento, ela deve ser agradável para o bailarino, para que ele possa se conectar com quem está assistindo. E quem começou a fazer isso com a gente foi o Rodovalho e, te digo com todas as letras, foi muito difícil”.


Na noite de ontem, 25, a Paracuru Companhia de Dança e Quasar Cia. de Dança dividiram o mesmo palco na estreia da IX Bienal Internacional de Dança do Ceará em Paracuru. Henrique Rodovalho não pôde estar presente, mas a diretora geral Vera Bicalho adiantou que a experiência é também empolgante para eles. “A gente fica muito feliz de voltar sete anos depois e ver como a dança daqui cresceu. É muito emocionante”, diz Vera.

No ano em que comemora 25 anos, a Quasar vem investindo numa aproximação com públicos mais distantes, através de projeto de circulação bancado pelo Prêmio Klauss Vianna em parceria com a Bienal de Dança. Após Paracuru e Fortaleza, onde mostram, hoje, a peça no Singular, às 21 horas no Theatro José de Alencar, o grupo segue para Juazeiro do Norte (dia 1) e Crato (dia 2).


Por sua vez, com a coreografia Parabach, de Claudio Bernardo, a Paracuru Companhia de Dança explora a corporeidade nordestina e a sonoridade europeia através das composições de Johann Sebastian Bach. O espetáculo, que marca os dez anos do grupo cearense, chega a Fortaleza neste domingo, 27, às 19 horas, no Teatro Dragão do Mar. No mesmo dia, quando encerra a programação da Bienal de Dança em Fortaleza, o público confere os espetáculos do Balé Teatro Guaíra (BTG), no Estoril e no TJA.


A diretora Cintia Napoli explica que a escolha do repertório é bastante significativa. Predicativo do Sujeito (de Alex Soares) e Desvio (assinada por Airton Rodrigues) são os trabalhos mais recentes, estreados em agosto deste ano e que, segundo Cintia, mostram bem o caminho, a identidade e a qualidade expressiva dos movimentos que o Guaíra deseja seguir. “Ainda não havíamos saído de Curitiba com este novo programa. Eles tratam de uma busca por identidade e o reencontro com uma arte mais humana. Já é visível, tanto nos processos dos trabalhos como nos resultados, uma nova maneira dos bailarinos lidarem com sua dança”, diz Cintia sobre o repertório, que, em Fortaleza, se completa com Caixa de Cores (que será apresentado amanhã no Estoril).


Assim como a Quasar, o Balé Teatro Guaíra sai de Fortaleza parar mostrar seus trabalhos na praça central de Paracuru. “Estamos radiantes com esta oportunidade. Para o BTG faz muito sentido poder levar a dança para outros palcos e públicos. Aí está o real valor da arte”, acredita Cintia.

Dança de rua em cena

Hoje, às 18 horas, na Estação Sesc Senac Iracema, o público poderá conferir três trabalhos que fazem dialogar as danças urbanas com uma cena contemporânea de dança. O bailarino e coreógrafo gaúcho William Freitas investiga tendências entre as duas linguagens desde 2003 e um pouco dessa pesquisa pode ser conferida no solo Corpo Transduzido. 
 

Do Ceará, a Rudá Cia. de Dança representa bem essa fusão entre a dança de rua e técnicas do balé, em conversa com a dança contemporânea. A obra Water drop, de Jorge Luiz Alves (Loli Pop) e Fabiana Lima, conta ainda com a bailarina Jamille Morais. Por fim, o goiano Rafael Guarato mostra sua pesquisa sobre novos padrões de movimento a partir de lesões corporais, em Alça de Balde.

 

SERVIÇO

 

No Singular / Quasar Cia. de Dança (GO)

Quando: Hoje, às 21 horas

Onde: Theatro José de Alencar (Rua Liberato Barroso, 525 – Centro)

Caixa de cores / Balé Teatro Guaíra (PR)

Quando: Amanhã (27), às 16 horas

Onde: Estoril (Rua dos Tabajaras, 397 – Praia de Iracema)

ParaBach / Paracuru Cia. de Dança (CE)

Quando: Amanhã (27), às 19 horas

Onde: Teatro do Dragão do Mar (Rua Dragão do Mar,81 – Praia de Iracema)

Predicativo do Sujeito e Desvio / Balé Teatro Guaíra (PR)

Quando: Amanhã (27), às 21 horas
Onde: Theatro José de Alencar

 
IX Bienal Internacional de Dança do Ceará

Entrada franca.

Outras informações: 3219 1959

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